Escrito por Luluca às 17h51
[]
[envie esta mensagem]
Eu sou um folião...
Não, eu não sabia que eu iria me divertir tanto. Não desconfiava que rolava em minhas veias uma paixão tão grande pelo samba, pela folia, pela energia q rola da união de pessoas muito diferentes unidas por uma mesma vontade: se divertir a qualquer preço. Tudo bem, nunca gostei de muita gente junta, de suor escorrendo... mas não sei o que aconteceu comigo. Como dizem por aí, estou frenética. Não durmo, não como... só penso no Carnaval. É uma limpeza de espírito! Se me perguntarem o por quê desta felicidade, não serei capaz de responder... Não mesmo. É algo inexplicável, porém que me faz me sentir muito bem.
Além disso, me apaixonei. Sim um amor de Carnaval. Na verdade, era um amor antigo. Acho que sempre esteve guardado aqui (que coisa mais clichê), mas semprei lutei contra. Mas é ele quem me anima no Carnaval. É ele quem está me deixando nervosa. Até quarta-feira, só penso neste amor (que já é Coroão, mas não me importo)...E entrei de cabeça em uma relação monogâmica. Serei fiel. Minha nova paixão tem nome e sobrenome, representa uma parte de minha vida, está aqui do meu lado.... Ela se chama Grêmio Recreativo Escola de Samba Unidos de Vila Isabel.
Eu me lembro do ano que a Vila Isabel foi desclassificada do Grupo especial. Eu voltava de Búzios. Era uma quarta-feira de cinzas chuvosa e trsite. Por volta das 21hs, passei pelo famoso Petisco da Vila (local onde a comunidade se encontra para assistir à apuração da Liga) e vi uma cena que nunca mais saiu da minha cabeça. Um senhor, muito velhinho, chorava desesperadamente sentado na calçada. Algumas pessoas tentavam consolá-lo. Ele apertava a bandeira da Vila junto ao peito e e murmurava: "não pode ser, não pode ser. não fizeram isso comigo. Não podiam fazer isso com a minha Vila". Parei para pensar por um instante: aquele senhor devia estar desde às 18hs ali sentado e chorando. A Vila era realmente parte da vida dele. Era uma parte da dignidade que havia se perdido; e não uma Escola de Samba com muitos componentes e pouco dinheiro.
É isso que me encanta tanto nas Escolas de Samba. Este amor todo, que leva a uma garra surreal. O que posso dizer das Velhas Guardas? Das senhoras integrantes das alas das baianas que carregam roupas de até 35 kg? Das crianças que cantam fervorasamente o samba de sua escola e desde muito pequenas sambam e sonham em ser porta-bandeira, mestre-sala, passista ou mestre de bateria? Dos ritmistas que passam madrugadas de suas vidas lá ensaiando, vivendo meses quase sem dormir, porque têm de trabalhar no dia seguinte? Exemplos de como um sentimento pode modificar uma vida.
Agora, por que Vila Isabel? Além do motivo óbvio de morar no bairro, hoje eu lembrei que Kizomba foi o primeiro samba que eu sabia cantar e o primeiro desfile que eu lembro com perfeição. Minha mãe adorava esta música e sempre cantava nas festas, e eu aprendi também. Adorava cantar "vem menininha, pra dançar o caxambu". Na época, com 5 anos, nem sabia o que era Caxambu (tinha impressão de que somente uma marca de água). Não fazia a mínima idéia de que era o toque mais foda dos tambores de uma dança maravilhosa, sensual e raíz do samba brasileiro: o jongo (esta é minha segunda paixão, mas outro dia comento sobre ela). Logo, percebo que desde então, meio assim sem perceber, a Vila já tinha espacinho na minha vida!
Kizomba, Festa da Raça
(Rodolpho / Jonas / Luís Carlos da Vila)
Valeu, Zumbi
O grito forte dos Palmares
Que correu terras, céus e mares
Influenciando a abolição
Zumbi valeu
Hoje a Vila é Kizomba
É batuque, canto e dança
Jongo e Maracatu
Vem, minininha, pra dançar o Caxambu - (bis)
Ôô, ôô, nega mina
Anastácia não se deixou escravizar
Ôô, ôô, Clementina
O pagode é o partido popular.
O sacerdote ergue a taça
Convocando toda a massa
Neste evento que congraça
Gente de todas as raças
Numa mesma emoção
Esta Kizomba é nossa costituição - (bis)
Que magia
Reza, ajeum e orixás
Tem a força da cultura
Tem a arte e a bravura
E o bom jogo de cintura
Faz valer seus ideais
E a beleza pura de seus rituais
Ver a lua de Luanda
Para iluminar a rua
Nossa sede é nossa sede
De que o apartheid se destrua
Valeu!
Escrito por Luluca às 16h14
[]
[envie esta mensagem]
[ ver mensagens anteriores ]