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Folias

Folias

Me perdi

Nas luzes da Avenida

Nas cores dos sonhos

Nos sons da multidão

 

Me achei

Em pleno Carnaval

Um pierrot errante e apaixonado

Um falso trovador a cantar paixões

 

Me descobri

Um farsante a procurar um novo bem

A tentar esquecer o passado

A viver o que não podia

 

Te vi

Ali tão bela

Sozinha a sorrir

A rodar com a minha canção

 

Esqueci de mim

Quis te ter ao me lado

Encostar os meus lábios nos seus

Dizer coisas de amor

 

Esqueci tudo

As luzes se apagaram

As cores se transformaram em preto e branco

Os sons se calaram

 

Não há mais trova

Não há mais canções de amor

Não há mais você perto de mim

 

Era Carnaval...

 

 

 

 

 

 



Escrito por Luluca às 17h51
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Eu sou um folião...

   Não, eu não sabia que eu iria me divertir tanto. Não desconfiava que rolava em minhas veias uma paixão tão grande pelo samba, pela folia, pela energia q rola da união de pessoas muito diferentes unidas por uma mesma vontade: se divertir a qualquer preço. Tudo bem, nunca gostei de muita gente junta, de suor escorrendo... mas não sei o que aconteceu comigo. Como dizem por aí, estou frenética. Não durmo, não como... só penso no Carnaval. É uma limpeza de espírito! Se me perguntarem o por quê desta felicidade, não serei capaz de responder... Não mesmo. É algo inexplicável, porém que me faz me sentir muito bem.

 Além disso, me apaixonei. Sim um amor de Carnaval. Na verdade, era um amor antigo. Acho que sempre esteve guardado aqui (que coisa mais clichê), mas semprei lutei contra. Mas é ele quem me anima no Carnaval. É ele quem está me deixando nervosa. Até quarta-feira, só penso neste amor (que já é Coroão, mas não me importo)...E entrei de cabeça em uma relação monogâmica. Serei fiel.  Minha nova paixão tem nome e sobrenome, representa uma parte de minha vida, está aqui do meu lado.... Ela se chama Grêmio Recreativo Escola de Samba Unidos de Vila Isabel.

  Eu me lembro do ano que a Vila Isabel foi desclassificada do Grupo especial. Eu voltava de Búzios. Era uma quarta-feira de cinzas chuvosa e trsite. Por volta das 21hs, passei pelo famoso Petisco da Vila (local onde a comunidade se encontra para assistir à apuração da Liga) e vi uma cena que nunca mais saiu da minha cabeça. Um senhor, muito velhinho, chorava desesperadamente sentado na calçada. Algumas pessoas tentavam consolá-lo. Ele apertava a bandeira da Vila junto ao peito e e murmurava: "não pode ser, não pode ser. não fizeram isso comigo. Não podiam fazer isso com a minha Vila". Parei para pensar por um instante: aquele senhor devia estar desde às 18hs ali sentado e chorando. A Vila era realmente parte da vida dele. Era uma parte da dignidade que havia se perdido; e não uma Escola de Samba com muitos componentes e pouco dinheiro.

  É isso que me encanta tanto nas Escolas de Samba. Este amor todo, que leva  a uma garra surreal. O que posso dizer das Velhas Guardas? Das senhoras integrantes das alas das baianas que carregam roupas de até 35 kg? Das crianças que cantam fervorasamente o samba de sua escola e desde muito pequenas sambam e sonham em ser porta-bandeira, mestre-sala, passista ou mestre de bateria? Dos ritmistas que passam madrugadas de suas vidas lá ensaiando, vivendo meses quase sem dormir, porque têm de trabalhar no dia seguinte? Exemplos de como um sentimento pode modificar uma vida.

  Agora, por que Vila Isabel? Além do motivo óbvio de morar no bairro, hoje eu lembrei que Kizomba foi o primeiro samba que eu sabia cantar e o primeiro desfile que eu lembro com perfeição. Minha mãe adorava esta música e sempre cantava nas festas, e eu aprendi também. Adorava cantar "vem menininha, pra dançar o caxambu". Na época, com 5 anos, nem sabia o que era Caxambu (tinha impressão de que somente uma marca de água). Não fazia a mínima idéia de que era o toque mais foda dos tambores de uma dança maravilhosa, sensual e raíz do samba brasileiro: o jongo (esta é minha segunda paixão, mas outro dia comento sobre ela). Logo, percebo que desde então, meio assim sem perceber, a Vila já tinha espacinho na minha vida!

Kizomba, Festa da Raça

(Rodolpho / Jonas / Luís Carlos da Vila)

Valeu, Zumbi

O grito forte dos Palmares

Que correu terras, céus e mares

Influenciando a abolição

Zumbi valeu

Hoje a Vila é Kizomba

É batuque, canto e dança

Jongo e Maracatu

Vem, minininha, pra dançar o Caxambu - (bis)

Ôô, ôô, nega mina

Anastácia não se deixou escravizar

Ôô, ôô, Clementina

O pagode é o partido popular.

O sacerdote ergue a taça

Convocando toda a massa

Neste evento que congraça

Gente de todas as raças

Numa mesma emoção

Esta Kizomba é nossa costituição - (bis)

Que magia

Reza, ajeum e orixás

Tem a força da cultura

Tem a arte e a bravura

E o bom jogo de cintura

Faz valer seus ideais

E a beleza pura de seus rituais

Ver a lua de Luanda

Para iluminar a rua

Nossa sede é nossa sede

De que o apartheid se destrua

Valeu!

 



Escrito por Luluca às 16h14
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